27 de mar. de 2012

Pares e trios de carros muito parecidos ou idênticos entre si



Hoje vamos continuar a falar dos carros gêmeos. São daqueles carros  que causam confusão mesmo entre amigos que gostam e entendem de carro, provocando situações do tipo: “Olha, aquela minivan da Citroёn que eu gosto!” O outro amigo diz : “Citroёn?? É Peugeot!”. E por último o terceiro: “Vocês estão malucos: Olha lá o símbolo da Fiat na tampa!” E quem estava certo? Os três! Afinal o projeto era o mesmo, e de longe não dava pra ver o logotipo.
Ao contrário do texto anterior que fizemos sobre este assunto, desta vez o destaque será dado a pares e trios de carros que foram frutos de alianças automotivas às vezes difíceis de imaginar, confira:

Ford Ranger e Mazda 2500



A Picape Mazda, uma Ranger  pra quem a vê a poucos metros, esteve disponível no Brasil de 1996 a 2000 com motor aspirado a Diesel 2.5 com 82 cv. Nesta época, a Ranger, da Ford, cuja marca é acionista da Mazda, já contava com o Maxxion (que viraria International Motores) turbodiesel com 115 cv e torque de 29 Kgfm.
Mazda  passou bem batido no mercado. Mas também não oferecia nada espetacular. Nem nome de verdade tinha, mas sim um número que representava a ‘cilindrada’: 2500 (cM3). E seu nome de fabricante ou marca, Mazda, nem deu tempo de aprender a pronunciar. A pronúncia japonesa é algo como “MATSsú-da”.
A parceria continua. A Nova Ranger que está chegando terá a companhia da irmãzinha (mas não no Brasil). E provavelmente a mesma mecânica, o que livrará a japonesa da pecha de irmã pobre e desconhecida.

Dodge Journey e Fiat Freemont



Agora vai. A Fiat, que precisa vender ChryslerDodgeJeep e RAM e tornar a sua marca-mãe italiana mais presente na América Central e do Norte, terá que lançar novos modelos em um intervalo de tempo menor e agradar consumidores de diferentes culturas.
E não apenas porque queira ‘aparecer’ mais, mas para que possa hornar o acordo de compra do grupo Chrysler assinado em 2009, que incluía cláusulas de vendas maiores e ampliação de mercados. E isso se reflete em maior controle acionário por parte da Fiat, que agora beira os 60% de participação no grupo Chrysler.
Desse modo, a estratégia de carros iguais com marcas diferentes estampadas no capô, que teve início com a dupla Fiat Freemont / Dodge Journey, tem tudo para render novos frutos. Quanto aoscarros citados, ambos podem levar até 7 passageiros (depende da versão). A diferença vem no pé: no Fiat um 2.4, 4 cilindros com 172 cv e câmbio automático de 4 marchas dá o tom. Tração só dianteira 4×2.
Na Journey o motor é o ótimo Pentastar 3.6 V6 com 280 cv e câmbio automático de 6 marchas. A tração também é somente dianteira. Barro? Esqueça. Mas no asfalto, relaxe: controles de tração e estabilidade estão lá para corrigir alguma derrapada ou escapada do crossover.

Fiat DucatoPeugeot Boxer e Citroën Jumper




Este caso é de trigêmeos. Que nasceram idênticos na primeira geração, cresceram juntos e, apesar da maturidade, mantém a mesma carinha. O coração e a alma foram e continuam iguais nos três. Tecnicamente falando, isso significa que a mecânica dos trigêmeos sempre foi Fiat.
O primeiro motor era um Diesel aspirado 2.5. Em seguida tornou-se 2.8 turbodiesel com controle eletrônico. E hoje, seguindo o conceito downsizing, utilizam um 2.3 eletrônico mais eficiente, com 127 cv, seguindo as últimas normas de emissão de gases. A transmissão por sua vez é manual de 5 marchas com alavanca no painel, boa solução para ocupar menos espaço. Até os preços diferem pouco. Interessante não?
Abaixo, três novos frutos da mesma parceria Fiat-Citroёn-Peugeot.

Fiat Ulysse, Citroёn C8 e Peugeot 807




Assim como no caso de Ducato, Boxer e Jumper, esta parceria certamente rendeu muita economia às três montadoras em todas as etapas do processo. Inclusive economia de tempo. Se por um lado, no caso dos veículos comerciais como Ducato, a beleza não é tão fundamental assim, no caso das minivans ela já é levada em conta.
Por isso os designers de cada marca devem ter tido mais trabalho para imprimir uma identidade visual própria nas minivans. No fim conseguiram, apesar das evidentes semelhanças. Mecanicamente, como é comum na Europa, utilizaram motores turbodiesel PSA Peugeot-Citroёn de 1.9 a 2.2 litros e a gasolina com 2 litros.
Todas as versões turbodiesel utilizavam transmissão manual de 5 velocidades. A versão a gasolina contava com um automático de 4 marchas como opcional.

Toyota Hilux e VW Taro 1991



Este é um daqueles casos em que muita gente que viu uma Hilux desta geração de 1989 a 1991 com logotipo VW achou que o dono era um brincalhão que queria confundir as pessoas, divertindo-se às custas delas.Mas esta parceria, embora curta existiu mesmo.
A Taro, vovó da Amarok, era japonesa! Por conta disso, a imprensa europeia acreditou que a Amarokatual poderia ser uma Hilux. Ledo engano. Se na época o segmento era muito pequeno, um nicho, vinte anos depois ele cresceu e tornou-se mais importante no mundo todo, justificando um investimento próprio por parte da VW, que quer ser líder mundial na produção de veículos e por isso quer mostrar que sabe fazer as coisas do seu jeito.
Os motores foram 1.8 e 2.2 a gasolina e 2.4 a diesel aspirado. Com câmbio manual de 5 velocidades. Nos EUA, um 3.0 V6 com câmbio automático de 4 marchas também estava disponível, claro.

Ford SUV Maverick e Nissan Terrano II



Alguns Terrano II vieram para o Brasil. Em versões de 3 e 5 portas ostentando cores vivas como vermelho, verde e azul piscina. Aqui só ia de turbodiesel, um 2.7 litros com 100 cv. Em outros mercados, onde chegou a se chamar Nissan Mistral, tinha motor 2.4 com 122 cv.
Desde o princípio a Ford se interessou no projeto do carro que podia levar 5 ou 7 passageiros e quis fazer uma parceria. Nos EUA, foi vendido como Ford Maverick. A mecânica era a mesma. Era uma versão mais robusta e econômica que as Explorer da época que podiam ser V6 ou V8.

Mitsubishi Lancer e Proton Inspira



Proton, marca da Malásia dona da Lotus (pelo menos por enquanto) precisava de um bom sedã médio. Resolveu pegar pronto, pagar licença de fabricação e dar um tapa no visual (grade, fárois, lanternas e logotipos, basicamente).
Debaixo da carroceria é tudo ainda mais a la Mistsubishi Lancer. Os motores são 1.8 com 140 cv e 2.0 com 160 cv. Os câmbios são manual de 5 ou CVT.

Citroën Berlingo, Peugeot Partner e Renault Kangoo



Eis um trio que fez de tudo para saborear uma fatia do bolo que o Fiat Dobló degustava praticamente sozinho. Os motores, na Partner e na Berlingo, são os velhos conhecidos Citroën 1.6 16v e 1.8 8v. ARenault Kangoo, por sua vez, teve motores 1.0 de 8 válvulas (Pasmem!), 1.0 16v (sim, é sério) e 1.6 com 8v e 16v.
Atualmente são 1.6 16v flex e tem aparência bem diferentes das irmãs europeias, que estão em outra geração. Todos as três existem em versão passageiro ou furgão.

Toyota Matrix e Pontiac Vibe



Dois pequenos crossovers esportivos com direito a tração integral e motores eficientes e até nervosinhos (1.8 e 2.4 com 132 e 156 cv respectivamente). O Vibe era Pontiac, marca extinta da GMe o Matrix, um Toyota. Frutos de uma parceria entre duas competidoras ferrenhas pela liderança mundial (GM e Toyota). Neste caso a sinergia rendeu bons produtos, e cada marca conseguiu imprimir sua identidade de forma interessante nos carrinhos.
As transmissões eram mecânica de 5 ou automática de 4 velocidades (isto até 2010 quando aPontiac ainda existia). O Matrix continua na estrada. Basicamente o mesmo, porém oferecendo mais uma opção de câmbio automático com 5 velocidades, que poderia estar no nosso Corolla

Ford Galaxy e VW Sharan



Além das duas acima, existe ainda a Seat Alhambra. A receita dessa minivan seguia na Europa, com a AutoEuropa, o estilo AutoLatina que vimos no Brasil: designs diferenciados minimamente apenas para sinalizar que era de uma marca ou outra e mecânica idêntica, formada por motores quatro cilindros a gasolina 2.0 e 2.3 e o VR6 6 cilindros 2.8. O Diesel, preferência dos Europeus, era representado por um Turbodiesel 1,9.
As minivans evoluíram e exitem até hoje. Porém diferem mais na motorização, utilizando trens de força próprios: Ecoboost da Ford na Galaxy e os Tsi e DieselBluemotion na VW. O design também não é mais tão gêmeo nas gerações mais novas. Por exemplo, na VW atual as portas são corrediças, na Ford não.
***
E você que acompanhou esta série de vinte casos de carros que são a cara de um e o focinho do outro, não pense que a prática parou. Há boatos de que Nissan e Renault ensaiam modelos pequenos para nosso mercado e que o novo Linea poderá ser um Dodge (Dart).
O que você acha desta prática? Pode render bons carros? São capazes de agradar aos consumidores das duas ou três marcas envolvidas na “sociedade”? Ou é só economia conveniente aos fabricantes?

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