A Europa também tem uma nova classe média. Com uma diferença: no Brasil, os consumidores desta faixa se originam do aumento de renda das classes mais baixas, enquanto na comunidade europeia ela surge da queda do poder aquisitivo das classes mais altas.
Essa filosofia orientou a Audi no A3, foi adotada pela Mercedes-Benz no Classe A e agora é reafirmada com ênfase na segunda geração do Série 1, que chega ao mercado brasileiro nove meses depois de ser apresentado na Europa. Mas a versão destinada inicialmente ao Brasil, a 118i, sofre de uma certa crise de identidade. Ela embarca os vários recursos eletrônicos sofisticados, mas traz um acabamento sem requintes.
A versão mais barata, 118i, que há um ano custava R$ 97 mil, passou para R$ 113.370, 17% a mais. Salgado. As versões seguintes, 118i Urban Line e 118i Sport Line são ainda mais caras. Custam, respectivamente, R$ 119.720 e R$ 122.900. Em todas elas, o luxo foi sacrificado, mas a esportividade e a eletrônica embarcada se mantiveram, para sustentar a excelência dinâmica dos modelos da marca.
A começar pelo propulsor 1.6 TwinPower Turbo, que rende 170 cv potência a 6 mil giros e 25,5 kgfm de torque entre 1.500 e 4.500 rpm. Segundo a BMW, o 118i é capaz de fazer o zero a 100 km/h em 7,5 segundos e chegar a 225 km/h. O modelo é gerenciado por um câmbio automático com modo manual sequencial de oito marchas que tem três modos de atuação: Eco Pro, Comfort e Sport – na versão mais cara, há ainda o modo Sport+, que reduz a atuação dos controles dinâmicos do carro.
Cada vez que o modelo fica imóvel, o motor é desligado. E basta uma leve pressão no acelerador ou um movimento no volante para religá-lo. Pelo desgaste provocado neste liga-desliga, o 118i tem um sistema regenerativo da energia dos freios, que auxilia o alternador a manter a bateria em boas condições de carga.
No computador de bordo também é possível navegar pelo manual do proprietário. Na parte de segurança, nada que impressione. O 118i traz apenas os equipamentos normais, como faróis bixênon, seis airbags, controles de estabilidade e de tração, ABS com EBS, etc.
Só não traz o conforto e a estética costumeiramente encontrados em modelos premium. Os bancos são em tecido grosso e têm ajustes por alavancas. Os panéis que cobrem teto e colunas são revestidos em um tecido simplório, enquanto os plásticos aparentes são pouco refinados.
Com a alta dos preços e a queda do glamour, o Série 1 pode ter dificuldades para repetir o desempenho dos dois últimos anos, quando emplacou 120 unidades mensais em média. Mesmo com os reforços na linha no meio do ano.
O primeiro é o 116i, mais barato, que usa o mesmo 1.6 turbo com rendimento reduzido para 136 cv. O outro é o 118i Full. Como o próprio nome denuncia, será a versão completa. Nesse caso, com direito a acabamento em couro, bancos elétricos, teto-solar, borboletas no volante e acabamento mais sofisticado. Elementos de requinte que, tanto quanto a esportividade, sempre se espera em um BMW.
BMW em preto e branco
Urban e Sport representam um novo sistema para aproximar os BMW da suposta personalidade do comprador. Começa com o novo Série 1 e deve se estender aos novos lançamentos da marca. Trata-se de criar uma unidade de design no detalhamento do carro.
O Urban usa cores claras em frisos, como na parte baixa do para-choque, no perfil das aletas da grade, nas rodas, na ponteira do escapamento e nos apliques de acabamento no interior. Já o Sport adota o preto, cromo escuro e detalhes em vermelho – como no pesponto do banco – nesses mesmos itens. A ideia é expressar uma certa classe no primeiro e uma dose de agressividade no segundo.
Na Europa, até as rodas seguem estes conceitos – são brancas no Urban e pretas no Sport. No Brasil, porém, a BMW preferiu não confrontar o consumidor com estas ousadias – inclusive porque o brasileiro é considerado muito sisudo em relação à estética de automóveis de luxo.
Por isso, fez demandas junto à matriz na Alemanha para “suavizar” o impacto desses conceito. Por exemplo: aqui as rodas de liga-leve por aqui são sempre na cor tradicional, em alumínio brilhoso. Lá fora, a versão Urban traz apliques em laca branca no tablier, nos painéis de porta e no console entre os bancos.
Por aqui virou alumínio escovado. A marca ainda estuda se vai aceitar encomendas dos modelos no conceito original. Mas não leva muita fé na possibilidade de o consumidor “brincar” com os elementos decorativos de sua BMW.
Primeiras impressões - Dupla personalidade
Juquehy/São Paulo – As fontes de diversão em um BMW são tradicionalmente os pedais e o volante. Mas desde que a marca introduziu o i-Drive em seus carros, a partir de 2001, o controle de navegação no console central também tem revelado qualidades lúdicas.
Nele, pode-se navegar através do manual do proprietário e até transferir para ele funções doSmartophone. Também é possível alterar algumas configurações que influenciam no comportamento e no rendimento do carro. Pode-se determinar as reações do câmbio e a resposta do acelerador e limite de velocidade. Mas no Série 1, no entanto, estes comandos são um tanto limitados. Em modelos superiores, as possibilidades aumentam muito e incluem até rigidez da suspensão e peso da direção.
O maior limite, porém, foi o formato proposto para o test-drive, em comboio – ironicamente, comportamento proibido na Alemanha por ser considerado perigoso. A ideia era aproveitar o percurso de pouco mais de 30 km para fazer uma espécie de check control no carro: verificar se os sistemas eletrônicos realmente funcionavam.
Apesar do i-Drive, botões e controles do painel são aborrecidamente numerosos. E no final, mesmo com os vários sistemas que visam a economia, o computador de bordo indicava um consumo muito pouco elogiável, de 7,5 km/l – a BMW indica em percurso misto a média de incríveis 16,4 km.
O que também fica constatado é como este Série 1 sofre de falta de glamour interno. Por exemplo, como não tem regulagem elétrica, os comandos para o banco são manuais. Todos os cinco: apoio das pernas, inclinação do assento, altura, reclinação e distância.
O tecido dos bancos é pouco refinado, assim como demais tecidos e plásticos de revestimento. Claro que montagem e finalização se mantêm impecáveis, mas os materiais usados deixam muito a desejar para um modelo premium que custa mais de R$ 110 mil.
Em um momento em que o comboio se espalhou, foi possível focar a atenção na parte dinâmica e avaliar de forma ligeira a força de aceleração e a estabilidade em retas do modelo. As marchas se sucedem de forma suave e quase imperceptível e o ponteiro do velocímetro sobe sem esmorecer em nenhum momento.
Até os 160 km/h, a máxima possível nas circunstâncias, com o acelerador bem pressionado, o Série 1 não foi exigido além da 6ª – o câmbio sobe a marcha automaticamente, mesmo em modo manual, aos 6.500 giros. Nestes giros mais elevados, a rouquidão do ronco do motor invade o habitáculo até com certa facilidade.
Mas o que falta mesmo são as borboletas para comandar as trocas de marchas, que deveriam ser item de fábrica no modelo. Afinal, o Série 1 pode não ser um exemplo de luxo e requinte, mas em movimento reafirma a condição de modelo BMW.
Ficha Técnica - BMW 118i
Motor: A gasolina, dianteiro, longitudinal, 1598 cm³, quatro cilindros em linha, turbo com duplo coletor, quatro válvulas por cilindro e sistema de abertura variável de válvulas. Injeção direta e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automatizado com oito marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Oferece controle de tração.
Potência máxima: 170 cv entre a 4.800 rpm.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 7,5 segundos.
Velocidade máxima: 225 km/h.
Torque máximo: 25,5 kgfm entre 1.500 e 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 85,8 mm X 77 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos e barras estabilizadoras. Traseira independente do tipo Multilink, com cinco braços transversais e longitudinais, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos e barras estabilizadoras. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 205/55 R16.
Freios: Discos ventilados de cerâmica nas quatro rodas. ABS, EBD, assistente de frenagem de emergência e controle de frenagem em curvas.
carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e quatro lugares. Com 4,34 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,42 m de altura e 2,69 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e do tipo cortina de série.
Peso: 1.390 kg.
Capacidade do porta-malas: 360 litros.
Tanque de combustível: 52 litros.
Produção: Regensburg, Alemanha.
Lançamento mundial: 2011.
Lançamento no Brasil: 2012.
Itens de série: Ar-condicionado automático, trio elétrico, direção assistida, bancos e volante esportivos com regulagem em altura e profundidade, volante multifuncional, sistema Park Assist, computador de bordo, sensor de estacionamento traseiro, câmara de ré, CD Player/MP3 com USB e Bluetooh, chave Keyless, GPS, sensores de chuva e de faróis, faróis bi-xenon, controle de tração e estabilidade e freios ABS com EBD.
Preço: R$ 113.370.












0 comentários:
Postar um comentário
Todos os comentários são previamente moderados e só após a análise serão publicados.
- Não serão publicados comentários que fazem o uso de palavrões ou desrespeito a terceiros.
- Comente apenas sobre o artigo acima, caso contrário use o nosso formulário para contato para as demais perguntas.
- No caso de perguntas sobre o artigo, as mesmas serão respondidas pelo mesmo formulário abaixo.
- Não use os comentários para fazer divulgação ou a prática SPAM.