27 de mar. de 2012

Avaliação completa do Novo Toyota Camry 2012


Toyota  age de forma “cirúrgica” no Brasil. Atua em nichos bem específicos, sempre de olho nas particularidades e, claro, na rentabilidade de cada operação. Em geral, o papel dos modelos oferecidos no mercado nacional é brigar pela liderança nos respectivos segmentos.


A exceção é o Camry. O sedã médio-grande, que chega este mês ao Brasil em uma versão completamente renovada, não tem a menor obrigação de apresentar um bom desempenho de vendas. Mas, ainda assim, tem uma função estratégica: atender executivos de empresas que querem ver seus diretores circulando em modelos japoneses.


Além, é claro, de possíveis fãs da marca. Mas seja por amor ou por negócio, os motivos devem ser fortes. Isso porque o novo Camry  chega com um preço bem salgado: R$ 161 mil. Em parte, o exagero de preço se deve à adição de 30% ao cálculo do IPI. Mas isso não explica tudo. Antes mesmo da nova alíquota, o Camry  era um automóvel caro. A geração anterior saiu de cena com a tabela apontando acima de R$ 130 mil.



Não é à toa que em seis anos de mercado vendeu 3.400 unidades, em média, menos de 50 por mês – ou um para cada três pontos de venda da marca. Nessa chamada sétima geração, no entanto, aToyota acredita que vai obter uma performance melhor.
Algo entre 80 e 100 unidades por mês. Para alterar esta receptividade, a marca decidiu trocar a versão vendida nos Estados Unidos e pela enviada para na Rússia. Este Camry, bem mais requintado, é semelhante ao vendido no próprio Japão, mas com o volante à esquerda e a frente com design modificado.
A elevação do nível de luxo no interior, com o uso de materiais sofisticados, vem acompanhado de uma ambientação clássica. Nos consoles, no volante e nas portas há apliques de paineis de madeira. Toda a parte superior do tablier, parte do volante e os bancos são forrados em couro.



E mesmo quando o revestimento é em plástico, é sempre de boa qualidade e de toque agradável. Como a função assumida é ser um carro para executivos, os bancos traseiros são reclináveis eletricamente e no apoio de braços há um controle para o sistema de som e do ar-condicionado tri-zone, com ajuste de temperatura individualizado para a parte de trás.
Há, também uma cortina escamoteável para cobrir a vigia traseira. Ali, o espaço para os joelhos foi ampliado em 4,6 cm, mesmo com a manutenção do entre-eixos de 2,77 metros – a Toyota define o modelo como sétima geração, mas a plataforma foi apenas “evoluída”.
Externamente, o design valoriza também um perfil mais clássico, conservador até. As linhas buscam valorizar a ideia de solidez, com a grade “pesada” e toda cromada, os para-lamas projetados e o capô elevado. Nas lateral, a linha de cintura alta e o ressalto em curva em torno da roda dianteira também tornam o visual mais encorpado. A grossa coluna traseira “morre” próximo à borda do terceiro volume, que é alto e também reforça a impressão de robustez do sedã.

Apesar do ganho em requinte, o conteúdo não é capaz de destacar o Camry entre os sedãs médio-grandes vendidos no Brasil. O propulsor do Camry é o mesmo V6 que já equipava a geração lançada em 2006. Trata-se de um eficiente 3.5 V6 com 24 válvulas com abertura variável na admissão e no escape, chamado de VVT-i.
Ele rende 277 cv de potência a 6.200 giros, 35,3 kgfm de torque a 4.700 e é gerenciado por um câmbio automático de seis marchas com modo sequencial. Não fica tão distante do que é oferecido por modelos topo de linha de outras marcas, Ford Fusion e Honda Accord – que têm, respectivamente, 243 cv e 278 cv.

Em relação à tecnologia, os rivais também oferecem controle dinâmicos semelhantes, como ABS com EBD e controles de estabilidade e tração – o Fusion tem ainda uma versão com tração integral. Nesse confronto, a maior distância acaba sendo mesmo no preço.
Camry custa 60% mais que os R$ 99.560 do mexicano Fusion V6 AWD e 12% mais que os R$ 144 mil do japonês Accord. Os números refletem isso. Enquanto o Fusion vendeu 800 unidades por mês, o Camry emplaca 50 e o Accord, já meio cansado, apenas 20.

Primeiras impressões - Luxo essencial

São Roque/SP – O Camry que chega agora no Brasil é o oposto de um carro de imagem. Na verdade, uma das funções do modelo é não chamar muito a atenção. E as linhas familiares e bem características nos modelos Toyota nos últimos anos podem fazer parecer que o carro é uma espécie de “Gran Corolla”.
A marca resiste à tentação de criar formas e volumes sinuosos e ousados – que depois de um tempo ficam parecendo um senhor de cabelo laranja. O usuário imaginado pela Toyota para o Camry é um executivo entre 45 e 60 anos, que prefere passar desapercebido no trânsito.
A discrição externa é completada por um interior em estilo clássico. Ali, o banco de trás é bem valorizado. Há saídas independentes de ar-condicionado e um pequeno console incrustado no apoio de braços central permite o controle sobre o som.

O enscosto também é eletricamente reclinável e há um generoso espaço para as pernas e para a cabeça. Para completar o ambiente de voo em Classe Executiva, ao toque de um botão, uma persiana cobre a vigia traseira para filtrar a luz externa.
Camry tem bons predicados dinâmicos. O motor despeja seus 277 cv de potência nas rodas dianteiras sem apresentar buracos na hora de acelerar ou retomar. O câmbio de seis marchas mostra um escalonamento capaz de colocar sempre os giros em um regime com muito torque disponivel.
A direção elétrica também tem o peso correto para cada situação. Mas o privilégio direcionado à fileira de trás acaba dando a tônica do carro, em detrimento de quem está ao volante. Em nome do conforto, o Camry filtra tudo. Tanto a irregularidade do piso quanto as próprias reações. Ou seja: é meio “anestesiado”.

As marchas podem até ser trocadas manualmente, desde que se manipule diretamente a alavanca de câmbio pois não há paddle shift. E até pela potência e torque, é fácil arrancar um desempenho mais feroz do sedã da Toyota. Mas o próprio comportamento do carro “empana” quaisquer pretensões esportivas.
É até difícil imaginá-lo em uma situação em que os controles de estabilidade e tração sejam chamados a agir. Afinal, a ideia é mesmo fazer do Camry um carro senhorial. Tanto que a lista de equipamentos e recursos do sedã da Toyota dirigido ao motorista não é tão extensa. Inclui câmara de ré, sensores de chuva e de estacionamento, regulagem elétrica de banco e volante, uma tela de LCD de 7”, faróis bi-xênon direcionais e ar-condicionado “three zone”, entre outros. Somente o básico para a categoria.

Ficha técnica - Toyota Camry XLE V6

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 3.456 cm³, com seis cilindros em V, quatro válvulas por cilindro e sistema de abertura variável na admissão e no escape. Injeção eletrônica multiponto.
Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré com opção por trocas manuais. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência máxima: 277 cv a 6.200 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 11,4 segundos.
Velocidade máxima: 180 km/h.
Torque máximo: 35,3 kgfm à 4.700 rpm.
Diâmetro e curso: 94,0 mm X 83,0 mm. Taxa de compressão: 10,5:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e pressurizados e barra estabilizadora. Traseira independente com braços duplos, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.
Pneus: 215/50 R17.
Freios: Dianteiros por discos ventilados e traseiros por discos sólidos. ABS de série.
carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,81 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,48 m de altura e 2,77 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cabeça de série.
Peso: 1.540 kg com 560 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 504 litros
Tanque de combustível: 70 litros.
Produção: Toyota, Japão.
Lançamento no Brasil: 2012.
Itens de série: Ar-condicionado automático de três zonas, direção hidráulica, ABS, ESP, airbags frontais, laterais e de cabeça, controlador de velocidade de cruzeiro, rádio/CD/MP3/USB com tela de LCD de 7 polegadas, retrovisores elétricos, vidros elétricos, bancos dianteiros com regulagens elétricas, desembaçador traseiro,





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